Pressão por incorporação tecnológica pertence ao paciente

Segundo Guilherme Hummel, finalmente o bioma saúde se encontrou com a biosfera digital

Por Aline Moura e Luciana Oncken | 27/05/2019

Vivemos um processo irreversível, “lunático, crazy, sem controle, que vai passar por cima de regulação e de demanda”. É assim que Guilherme Hummel, um engenheiro mecânico especializado em tecnologia da informação em comunicação em saúde (e-Health), descreve o cenário em que nos encontramos quando o assunto é tecnologia. Na saúde, ela demorou a chegar. Mas assim como em outras cadeias produtivas de prestação de serviços, a ponta – isto é, o paciente – é quem pressiona pela incorporação. “Como acontece em toda indústria de serviço, quem exerce a pressão para as inovações é a inconformidade. Inovação significa inconformidade com alguma coisa, eu estou inconforme com a minha possibilidade atual. Eu faço a minha declaração de imposto de renda pela web, toda a minha movimentação bancária é feita pela internet, eu compro qualquer coisa pelo e-commerce, então por que diabos preciso fazer um agendamento de consulta por telefone para daqui a 60 dias?”, provoca.

O Informação em Saúde conversou com Hummel nos bastidores da Hospitalar, realizada de 21 a 24 de maio, em São Paulo. A feira é a maior plataforma de encontros e exposições da indústria da saúde na América Latina, e promove diversos eventos científicos paralelos, entre eles a versão brasileira do HIMSS – Health Information and Management System Society. Sob coordenação de Hummel, o congresso levou ao público 26 cases de tecnologia aplicada à saúde e quatro dias inteiros de palestras e debates sobre o tema, com a participação de mais de uma dezena de países.

Essa vitrine, segundo ele, é fundamental para o Brasil, uma vez que os modelos e as ideias podem e devem ser replicados. “Adoramos essa coisa de reinventar as cadeias de provimento. Fizemos isso durante muito tempo, e na área de saúde existe uma passividade de achar que, no nosso modelo, as coisas são diferentes. Pacientes são mamíferos, placentários, eles não são diferentes dos outros”, sentencia. E arremata: “A área da saúde é uma das últimas indústrias de serviços a chegar à era digital”. Ainda bem que chegamos.

Confira a entrevista completa, a seguir:

Informação em Saúde: A versão brasileira do HIMSS veio para o portfólio da Hospitalar há quatro anos. Qual a grande vantagem dessa união?

Guilherme Hummel: Todos os eventos de tecnologia que estão na Hospitalar, inclusive os que acompanharam a feira nesses 25 anos, adicionando valor ao mercado. Porque essa aqui é a única plataforma, ou a maior plataforma, ou talvez a melhor plataforma de saúde que tem no país e na América Latina. Todo mundo, de certa forma, vem entender o que está acontecendo em termos de saúde. Ocorre que faltava trazer o que está acontecendo no mercado internacional para o Brasil. Nós não temos tempo para ficar reinventando as coisas. Nós adoramos essa coisa de reinventar as cadeias de provimento. Fizemos isso durante muito tempo, e na área de saúde existe uma passividade de achar que no nosso modelo, no Brasil, as coisas são diferentes. As coisas não são diferentes, as coisas são iguais. Pacientes são mamíferos, placentários, eles não são diferentes uns dos outros. Quem está aqui, está na Holanda, na Jordânia, na África, tem os mesmos quesitos. Existem diferenças? É obvio que existem diferenças no perfil biológico, bioquímico, biogenético, mas em primeiro atendimento isso é flex. As mesmas ferramentas que estão dando certo lá podem ser usadas aqui. Claro, é preciso localizá-las, customizá-las, mas não existem grandes diferenças.

O HIMSS traz para o mercado uma janela de cases do que está dando certo lá fora. Esse ano são 26 cases, de hospitais, de clínicas, de produtos, de países, de estados, de comunidades, que já estão fazendo projetos na área de telemedicina, na área de diagnósticos remoto, na área de oncologia, enfim, em várias disciplinas médicas. Junto, também mostramos os cases nacionais que estão dando certo. Acabamos de assistir, por exemplo, o case do Hermes Pardini que, seguramente, vai ser a maior plataforma de produção de diagnósticos do mundo. Em agosto, passa o laboratório Quest, dos EUA. Quer dizer, o Brasil terá a maior produção de testes diagnósticos do planeta. Não é mais somente uma questão de dinheiro, uma questão de gestão, existe uma força tecnológica embarcada que faz a diferença na hora de conquistar mercado, de sair da insolvência, de reduzir custeio.

Informação em Saúde: E o que está nos congressos que você pode dizer que já está na ponta dos dedos dos médicos e do paciente?

Guilherme Hummel: Você tem duas pontas: a ponta do beneficiário, do usuário, do paciente, e a ponta do prestador de serviço. O que recebe o serviço, o paciente, está muito mais avançado mentalmente, culturalmente, porque nós temos 300 milhões de smartphones no Brasil, somos o quinto maior usuário de e-commerce do mundo, terceiro maior usuário de internet no dia a dia no mundo. Isso fez com que a população tivesse uma conexão com a Era digital muito mais rápida do que a comunidade médica, que também usa as ferramentas diárias, como WhatsApp, Skype, redes sociais, prontuário digital e prescrição eletrônica no caso de alguns poucos que estão internos em hospitais. Mas quem está pressionando a cadeia de saúde para se movimentar mais rapidamente é a ponta. Como acontece em toda indústria de serviço, isso não é uma novidade no Brasil nem no mundo. Quem exerce pressão para as inovações é a inconformidade. Inovação significa inconformidade com alguma coisa, eu estou inconforme com a minha possibilidade atual. Eu faço a minha declaração de imposto de renda pela web, toda a minha movimentação bancária é feita pela internet, eu compro qualquer coisa que quiser no e-commerce, por que diabos na área de saúde eu preciso fazer um agendamento de uma consulta por telefone para daqui a 60 dias? Existe uma consolidação da Era digital na mente do usuário que, por sua vez, é repassada para a comunidade médica. Aqui mesmo devem ter uns 50 eventos funcionando [na Hospitalar]. Nenhum desses eventos deixa de falar de tecnologia. Nenhum. Em qualquer área que você queira, todos elas de alguma forma tocam na molécula digital. E por que isso acontece? Porque o mundo externo, o mundo que está recebendo atendimento, está cansado desse isolacionismo, ele não recebe qualidade, solicitude, ele não recebe o atendimento que ele recebe de outras indústrias de serviços.

Informação em Saúde: Você poderia exemplificar?

Guilherme Hummel: Mobilidade urbana. Você pega um táxi, um Uber, com a maior facilidade. Você pede uma refeição com a maior facilidade. Mas você não pede um remédio, porque tem um órgão, um conselho, que te impede de fazer isso. Você vai numa farmácia, tem um desconforto qualquer, o farmacêutico está lá, ele é formado, ele fez curso superior, mas não pode dar um diagnóstico, porque o conselho não-sei-das-quantas não permite que ele faça esse tipo de coisa. Isso cria uma revolta e o paciente começa a verticalizar o atendimento. Vai para o Google, vai para o Dr. Consulta, vai para todos aqueles de certa forma estão dispostos a ouvir, a satisfazer sua demanda.

Do ponto de vista prático, as ferramentas mais usadas pela cadeia de saúde são as ferramentas mais usadas pelos usuários. Vou dar um exemplo: o usuário consulta uma determinada inconformidade no corpo dele num site da web, num site aberto, fechado, ou de uma associação. A cadeia de saúde fala: ´se ele vai fazer isso no Google, por que não vai ao meu site?` Então os sites dos hospitais, das operadoras, das clínicas, inúmeros portais começaram a oferecer uma série de informações que o paciente não recebia dentro da cadeia de saúde. WhatsApp, todo mundo usa, o médico está usando o WhatsApp, até o Conselho Federal de Medicina disciplinou o uso e falou `olha, não dá pra evitar isso´. O paciente está conversando sem criptografia, sem protocolo, sem grandes regulações. O que está sendo usado hoje na comunidade é menos a ciência e mais a tecnologia que o usuário está usando nos seus padrões normais. O usuário lê no e-book, então ele vai ler o receituário, a bula, através de um e-book, de um celular, de um smartphone. Essa velocidade é que é o grande trunfo do Brasil, porque quando eu estou falando sobre os problemas da cadeia de saúde, estou falando também das oportunidades, depende se você vê o copo cheio ou o copo vazio. Se você é um investidor internacional, você olha o Brasil e diz: ´não existe país melhor para investir`. Temos uma democracia sustentável, somos uma república, temos instituições sólidas e 200 milhões de demandantes. Israel pode ter a melhor tecnologia do mundo, mas tem sete milhões de demandantes. Holanda, Espanha, tem 50, tem 40. A Grã-Bretanha tem 60 milhões. Tudo aquilo que nós temos de falência na saúde é um problema, é um caos de grande gravidade pública e privada. Mas, na outra ponta, é uma oportunidade.

Informação em Saúde: Pesquisa mostra que 93% dos millennials não buscam atendimento primário, eles só vão ao médico quando estão realmente doentes, porque acham que podem gerenciar a própria saúde. Isso tudo não acaba afastando um pouco o médico e o paciente? Como usar essa tecnologia para aproximar o sistema, desde o paciente, passando pelo médico até chegar aos hospitais e clínicas?

Guilherme Hummel: Presta atenção numa coisa: o mundo do século 21 não é igual ao mundo da primeira metade do século 20. As demandas, as insuficiências, as carências são completamente diferentes. Uma parte da comunidade médica, e uma parte da academia, falam que a tecnologia desumaniza a relação do paciente. Isso é uma bobagem. A geração dos mais novos já nasceu na Era digital, ela não fez a transição como nós fizemos. Nós fizemos a transição do mundo analógico para o digital. Então, qual é a nossa percepção? Essa percepção da falta de humanismo é uma percepção real, mas você precisa perguntar para o outro lado se ele enxerga o mesmo valor na referência que enxergava a nossa geração. Na mente das pessoas, existe uma coisa chamada conveniência. O que me é conveniente? Eu tenho uma filha de 21 anos, o que me é conveniente não é conveniente pra ela, o que gera raciocínio pra mim não gera raciocínio pra ela. Ela me pergunta: ´por que você está usando um relógio, pai? Relógio é monofuncional, eu pego o celular e tem 60 funções que eu posso acessar`. Os valores na mente da nova geração, não dos babyboomers, nem dos millennials, mas da geração que está chegando agora, são diferentes. Não que a humanidade não seja importante. Mas se você pesar na balança, você vai receber uma dose muito grande de humanismo, mas com pouca assistência às minhas demandas de conveniência. Se você pegasse uma pessoa de 18 anos há duas décadas, ela estaria disposta a esperar dois meses para ser atendida. Hoje, ela não tem mais essa disposição. A conveniência dela é outra. Se você colocar pra um jovem de hoje que vai demorar dois meses para ele ser atendido por um especialista, ele vai procurar outra coisa. A conveniência é uma cesta que envolve a agilidade, que envolve o custo, que envolve a facilidade de obter ganhos, de obter valor no meu dia a dia. É por isso que a medicina de promoção cresceu tanto, porque se você consegue dar para uma criança, do primeiro ao último ano de escolaridade, noções básicas de saúde, esta geração vai saber, quando chegar aos 17 anos, o que é caloria, o que é vicio e o que é vacinação. Quarenta por cento das pessoas no Brasil não se vacinam. Cinquenta por cento dos adultos não têm nem a carteirinha de vacinação. E então temos o sarampo de volta. Esse tipo de reação tem que ser menos humanista do que parece se, em compensação, ela for mais prática e resolver mais rapidamente os problemas do indivíduo.

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Informação em Saúde: Estamos falando de tecnologia, demandas e da pressão do próprio paciente. Mas e quanto ao acesso? A medicina de qualidade ainda é cara e inacessível no país…

Guilherme Hummel: O preço do atendimento, o custo do atendimento da saúde, sempre será maior, porque a demanda por saúde é maior do que a oferta. Zera isso. Não importa a gestão, se é publico, se é privado, se tem dinheiro, se não tem. Se a demanda por assistência médica num mundo que tem 7.3 bilhões de habitantes, com 1.3 de patologias por habitante, é muito maior do que a oferta, haverá gap, iniquidade. O desbalanceamento social vai fazer com que isso ocorra e isso não vai ser reduzido por uma questão de tecnologia. A Organização Mundial de Saúde diz que tem um déficit de 8 a 9 milhões de profissionais de saúde no mundo. Você não forma 8 a 9 milhões de profissionais numa década, numa geração. E quando você formar, quando você der um atendimento melhor, um pouquinho melhor, a demanda cresce. Você vai numa farmácia que está a cinco quilômetros da sua casa. De repente, abre uma farmácia embaixo do seu apartamento. Você vai muito mais vezes a essa farmácia, ou vai muito mais vezes a esse cinema, ou a esse shopping. Essa diferença entre custeio de demanda e oferta é o balizador no mundo. Todos os sistemas de saúde, privados ou públicos, são deficitários, todos.

Um exemplo: a média de atendimento no Brasil é por volta de sete minutos uma consulta médica. Está em 25º lugar no mundo. Quem está no topo tem 22, 23 minutos, que são Grã-Bretanha, Dinamarca. Sete minutos de média significa que tem alguém que está sendo atendido em dois, em três. Desculpe, não dá para você ser ao mesmo tempo eficiente e humanista numa consulta de sete minutos. Você tem que fazer opções. Tem muita gente precisando de assistência, e tem poucas possibilidades, públicas e privadas, de atender a esta demanda. Então o preço vai continuar crescendo, as cadeias vão continuar sendo deficitárias.

Informação em Saúde: O setor discute há décadas a interoperabilidade dos sistemas em saúde e parece ser um problema sem solução, porque estabelecimentos, médicos e pacientes não conversam. Qual sua a visão sobre esta questão?

Guilherme Hummel: Terrível. A interoperabilidade no Brasil é uma cracolândia. Há quase 20 anos a gente tem esse tema aqui no centro da cidade de São Paulo, insolúvel. A mesma coisa com a interoperabilidade. Eu vejo soluções, sistemas, plataformas, mas eu vejo uma grande dificuldade de se implementar isso, menos tecnológica. Digamos que temos o hospital X, o hospital Y e o hospital Z. Os três possuem tecnologia para serem interoperáveis. Seus gestores estarão dispostos a fornecer os dados dos seus pacientes para o competidor? Então, a questão da interoperabilidade não é só tecnológica. É uma questão conceitual, comportamental. E é razoável que seja, no mercado de saúde suplementar, em que há uma grande competição. Este mundo utópico de que todo mundo vai ceder dados para todo mundo, que todo mundo vai conversar com todo mundo, ficou lá na segunda metade do século 20, não vai acontecer mais. Os dados vão ter que ser extraídos através de uma única fonte: o paciente.

Informação em Saúde: Isso traz o paciente para o centro do cuidado.

Guilherme Hummel: Para o centro, claro. Ele é o centro. Não adianta você ir lá e pedir para o hospital: ´olha, eu estou aqui fazendo um portal, queria transferir dados do seu laboratório`. Ele vai dizer não. Quem vai dizer sim? É o paciente, esse empowerment do paciente tende a crescer. Quanto maiores as dificuldades, maior será a demanda do paciente por soluções novas. Quando as grandes metrópoles do Brasil começaram a exaurir a mobilidade urbana, principalmente nos carros, veio o Uber e explodiu a mobilidade urbana e todo mundo utiliza o táxi como uma condução.

Informação em Saúde: Inclusive pressionando a regulação.

Guilherme Hummel: Sim, pressionando a regulação. Então, como é que vai se resolver o problema da interoperabilidade? Primeiro, precisa vir uma solução exógena, ela não virá de dentro da cadeia. Acontecerá quando uma comunidade de pacientes – isso acontece já nos EUA com as comunidades rurais – entender que é preciso compartilhar os dados, ou quando uma operadora fizer um novo pacto com o paciente. `Olha, eu vou reduzir a sua parcela mensal, mas em contrapartida eu preciso que você me dê três dados, porque o meu sinistro depende de eu me antecipar a você num caso de diabetes´. É um novo pacto que o paciente há 20 anos não estava disposto a aceitar. Mas hoje ele está disposto a aceitar se, na contrapartida, tiver benefícios dessa nova relação. É assim que a interoperabilidade vai ser construída. Se eu tivesse que fazer um cenário tecnológico da integração sistêmica, diria que tem uma porção de gente sentada numa mesa, olhando, e dizendo: ´bom, está tudo pronto, agora precisa entrar o protagonista`. O paciente precisa querer. Nos EUA, já quer; na França o caminho foi esse; a Grã-Bretanha é pioneira nisso.

Informação em Saúde: Mas o caminho, mais uma vez, foi o paciente…

Guilherme Hummel: O paciente é sempre o demandante. Toda indústria de serviços é demandante de quem está na ponta, se quem está na ponta exerce o poder, as coisas mudam. Porque você tem uma relação direta. Agora, quando não se tem essa reação, o paciente vai sofrer. E, na minha opinião, deve sofrer ainda. Ele só vai adquirir maturidade quando o caos vier. É o caos que cria maturidade. Você pega uma pessoa que tem 50 anos de idade, fuma, bebe, pesa cem quilos, tem pressão alta. Ela não se cuida. Aí ela tem um AVC e é internada num fim de semana, passa dois dias no hospital, na UTI. Quando ela volta pra casa, volta diferente. É que nem todo mundo tem essa sorte, às vezes não volta pra casa. Então, é preciso que haja, e na saúde está havendo, estas pressões todas. Essa feira aqui existe por uma pressão que não é do mercado. Quem está fazendo pressão para que essa feira exista é o consumidor, ele quer inovação, ele quer um hospital diferente, ele quer um atendimento remoto, ele quer um médico que entenda as demandas dele e que participe pra ele a cogestão da patologia. Isso tudo é uma demanda que vem de fora, e não de dentro.

Informação em Saúde: Mas o paciente brasileiro é empoderado a este ponto?

Guilherme Hummel: Uma parte é. Mas o empoderamento é uma jornada, é um ciclo. Eu escrevi um livro chamado “ePatient – A Odisseia Digital do Paciente em Busca da Saúde”. Ele vai criando na mente como se fosse uma infecção, ele é inoculado, ele começa a perceber que as mesmas coisas que ele tem numa área, não tem na outra, e começa a se posicionar. O empoderamento pode vir através de uma geração espontânea, quer dizer, você aprende, sofre, absorve experiências e muda. Ou através do ensinamento, quando o médico está lá, o Estado, a escola, a academia. Pode ser das duas formas. Mas quando você tem a insuficiência – presta atenção nessa palavra – a insuficiência cria o empoderamento.

Informação em Saúde: Qual sua opinião sobre a Lei Geral de Proteção de Dados? Qual impacto ela terá na saúde?

Guilherme Hummel: A lei de proteção de dados é um grande avanço, um avanço estupendo gerado por essa demanda de resolver as assimetrias que têm no mercado, que envolvem privacy security e todos esses sistemas. A lei é boa, mas obviamente vai demorar uma década para ser confirmada. Essas coisas são assim mesmo, como vários outros tipos de legislação que vieram para dar conformidade a um mercado que estava totalmente desconforme. Tem um tempo de maturação, começa no topo da pirâmide, as grandes empresas começam a fazer isso mais rapidamente, até chegar na base com aquele cara que está fazendo a sua startup.

A tecnologia entrou pelos poros da civilização. O bioma saúde se encontrou, finalmente, com a biosfera digital. E isso é um processo irreversível, lunático, crazy, vai a uma velocidade sem controle, vai passar por cima de regulação, de demanda. Isso é um pouco caótico para as lideranças na área da saúde, para os conselhos profissionais, que precisam ver primeiro o que o advogado vai dizer. É um tsunami, que vai a topo vapor, que vai cometer erros, que vai fazer vítimas. Somos testemunhas de um fenômeno geracional, estamos no meio de uma transição de um mundo analógico e a área da saúde é uma das últimas indústrias de serviços a chegar na Era digital.

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