Faltam novos antibióticos para o tratamento das prostatites

Segundo o médico Valdemar Ortiz, custo e interesse da indústria impactam em pesquisas e produção

Da Redação | 25/04/19 

As prostatites agudas e crônicas são as doenças de próstata mais comuns entre os homens até 50 anos. Segundo o professor Valdemar Ortiz, da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, a prevalência é de 8% na população até os 50 anos, com recorrência alta, que varia entre 20% e 50%.

Prostatite é dor e inchaço, inflamação, ou ambos, na próstata. Pode ser causada por infecção bacteriana e, neste caso, precisa ser tratada com antibióticos. Os sintomas podem incluir dor na área entre o escroto e o ânus, ou na parte inferior das costas, pênis ou testículos. Os homens também podem sentir necessidade frequente e urgente de urinar, e a micção, ereção, ejaculação e defecação podem ser dolorosas.

O tratamento com antibióticos, indicação para as infecções bacterianas, dura algumas semanas, mas pode ser complexo, devido à resistência dos medicamentos e ao grau de infeção. A quinolona, por exemplo, tem uma prevalência de resistência bacteriana muito alta, segundo o professor Ortiz. Ele recomenda cuidado no uso, já que os efeitos colaterais podem ser importantes, como delírios, tendinites, artroses e aneurismas da aorta. “É sempre bom considerar a possibilidade de usar a fosformicida, que quase não apresenta resistência e tem menos efeitos colaterais”, recomenda.

Ortiz ainda critica a falta de novidades em tratamentos na área. “Em 2050, teremos dez milhões de mortes causadas por patógenos, contra dois milhões de mortes causadas por câncer. No entanto, os laboratórios não têm interesse em desenvolver novos antibióticos. O desenvolvimento de medicamentos para doenças crônicas interessa mais”, disse.

Um dos entraves é o custo. Segundo ele, custa em torno de US$ 2 bilhões para desenvolver uma nova molécula de antibiótico, e leva dez anos para que ela entre no mercado, se não for descartada. “Talvez com os supercomputadores se consiga fazer com que o tempo de ensaio clínico diminua, e o custo caia”.

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Medicamentos combinados, como a ceftolozana, foram lançados no mercado em 2018, inclusive no Brasil, para o tratamento de infecções mais resistentes. O problema, no entanto, é que não são todos os antibióticos que não conseguem atingir uma boa concentração na próstata.

Para o urologista Valdemar Ortiz, as descobertas sobre a microbiota da próstata podem trazer novidades no tratamento das doenças relacionadas a ela. “Até 2012, acreditávamos que a microbiota da próstata era estéril. Mas ela não é. Descobrimos isso graças ao sequenciamento genético. Esta é uma área muito interessante, fascinante, que deve render descobertas importantes no futuro”.

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