Os marcadores digitais poderão diagnosticar o Alzheimer?

Bill Gates tem investido em pesquisas que podem revolucionar a forma como diagnosticamos a doença

Por Aline Moura | 08/04/19

Segundo o Alzheimer´s Disease Center, da Universidade de Boston, os números da doença são “desconcertantes”. Somente nos EUA, existem cerca de cinco milhões de pessoas com a demência, e este número deve crescer para 16 milhões até 2050. Uma em cada oito pessoas com 65 anos ou mais e uma em cada três pessoas com 85 anos têm Alzheimer, naquele país. Mundialmente, os números também não são nada animadores: estima-se cerca de 36 milhões de casos.

Na crista da onda, Bill Gates escreveu recentemente um artigo que traz ainda mais esperanças para o diagnóstico simples e rápido do Alzheimer, num futuro não muito distante.

O texto, publicado em abril, destaca as pesquisas promissoras ao redor do mundo, incluindo as realizadas pela rede DIAN (Dominantly Inherited Alzheimer´s Network), cujos avanços permitirão diagnosticar a doença por meio de um simples exame de sangue, nos casos de herança genética. Esses casos são raros, mas representam um passo enorme rumo ao aprimoramento do diagnóstico e à elegibilidade de pacientes para testes de novas drogas de tratamento.

Leia mais sobre a rede DIAN

As possibilidades, no entanto, vão além. Segundo Gates, “como num romance de ficção científica”, poderemos diagnosticar o Alzheimer por meio de testes de voz, por exemplo, ou analisando a caligrafia do paciente. Não à toa, sua fundação anunciou investimentos, ano passado, numa Aceleradora de Diagnósticos que tem buscado maneiras menos invasivas de diagnosticar o Alzheimer, usando a tecnologia digital, e não apenas a medicina. Além dos investimentos em pesquisa, Gates revelou ainda, em artigo publicado em 2 de abril em seu canal gatesnotes.com, uma primeira rodada de prêmios em torno do tema.

Bill Gates ressalta o trabalho da Rhoda Au, professora de Anatomia e Neurobiologia da Universidade de Boston. É ela quem lidera os estudos acerca do diagnóstico do Alzheimer por meio da análise da voz ou da letra do paciente. Dr. Au comanda uma longa pesquisa que relaciona problemas no coração e a neuropsicologia. Por causa desses estudos, que já duram 70 anos, muitos pacientes envelheceram e desenvolveram Alzheimer recentemente. O acesso a milhares de arquivos de áudio desses pacientes, captados durante as avaliações de saúde ao longo dos anos, tem motivado Rhonda Au a estudar os padrões de voz dos pacientes e relacioná-los a sinais da doença. A ideia é identificar, por meio de um programa de computador, mudanças significativas nos padrões de voz, padronizar essas mudanças, relacionando-as com o Alzheimer e, num futuro, aplicar este conhecimento em pessoas mais jovens que possam apresentar o mesmo padrão.

Segundo Gates, “não sabemos se análise de voz irá funcionar, porque as pesquisas ainda são iniciais e ainda não sabemos quais mudanças nos padrões de fala estamos buscando. Mas estou animado sobre o futuro potencial em identificar o risco de desenvolver Alzheimer num simples app no seu telefone”. Os estudos também investigam outros marcadores digitais, como identificar mudanças no hábito de escrever durante a vida usando uma caneta digital.

O fundador da Microsoft ainda conclama a comunidade mundial a se inscrever para a segunda rodada de sua Aceleradora de Diagnósticos, que irá prover projetos que buscam desenvolver ferramentas digitais para a descoberta do Alzheimer.

Para mais informações sobre a Aceleradora de Diagnósticos, clique aqui

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