Qual o futuro no tratamento do câncer de próstata?

Em Simpósio realizado em São Paulo, urologista Miguel Srougi falou sobre o tema

Da Redação | 26/04/19

Causou comoção entre os médicos artigo publicado no Journal of Nuclear Medicine, no fim de 2017, em que um tratamento experimental curou dois pacientes com tumor de próstata avançado, já submetidos a todos os procedimentos conhecidos e possíveis, como cirurgia, radioterapia, quimioterapia e hormônios.

A novidade foi a utilização de radioisótopos. Eles são nada mais do que átomos com excesso de energia nuclear, o que os torna instáveis mas também manipuláveis. Isto é, podem ser usados na medicina. As descobertas, feitas inicialmente por pesquisadores alemães, envolveram o radioisótopo chamado Actinum que, guiado por exame de imagem PET, consegue encontrar e explodir as células tumorais, de maneira assertiva, como uma nanobomba.

Segundo apresentou o urologista Miguel Srougi, durante Simpósio realizado em São Paulo em abril de 2019, este é o futuro. “Vejo aí o futuro do tratamento do câncer de próstata. Vão acabar as cirurgias, vão acabar as sessões de radioterapia. O paciente vai tomar uma injeção, e pronto”, resumiu o médico, que agora coordena o novo Instituto de Próstata do Hospital Moriah, na região sudeste da capital paulista. O efeitos colaterais, no entanto, ainda precisam ser melhor estudados, bem como outros fatores. “Por isso os radioisótopos não foram para o cotidiano ainda”, relativiza.

Embora os resultados publicados sejam de apenas dois pacientes, os autores do artigo afirmam que há outros casos de respostas positivas, que serão publicados futuramente. Nos casos descritos, após três e quatro sessões da terapia experimental, os valores do PSA (exame que detecta níveis aumentados de proteína produzida pela próstata e que aumenta nos casos de câncer) dos pacientes caíram abaixo do limite de detecção (0,1 ng/ml). Antes, os níveis superavam 3.000 ng/ml e 419 ng/ml, respectivamente.

As imagens radiológicas também mostraram que as metástases, antes claramente visíveis, haviam desaparecido após a terapia. No artigo, os pesquisadores afirmam que a dose do composto usado no tratamento demonstra ser segura e eficaz e que o único efeito colateral verificado até o momento foi xerostomia (boca seca em razão da destruição das glândulas salivares).

Outros centros de pesquisas desenvolvem estudos de mesmo teor. Um dos mais recentes, e que também apresentou resultados positivos, é o Efecto positivo del tratamiento con Actinio 225-PSMA sobre el estado funcional ECOG, publicado na Revista Española de Medicina Nuclear e Imagen Molecular.

Radioterapia hipofracionada

Técnica bastante disseminada no Brasil em 2018, a radioterapia hipofracionada foi apresentada como uma revolução no tratamento de alguns cânceres. A novidade é que ela é mais concentrada e, portanto, permite reduzir drasticamente o número de sessões de radioterapia, inclusive no câncer de próstata. Num tratamento tradicional, podem ser necessárias uma média de 40 sessões. Com a radioterapia hipofracionada, a redução chega a 20 sessões. Ainda a modalidade ultra hipofracionada reduz as sessões para cinco.

Segundo explica o urologista Miguel Srougi, o formato permite menos sessões porque utiliza altas doses de radiação sobre o tumor. Mas ele alerta: “há uma divulgação um pouco exagerada disso. Os pacientes têm procurado porque se submetem a menos sessões. Mas há relatos de complicações graves. As superdoses podem causar problemas importantes. Não sabemos quais os efeitos a longo prazo. Talvez tenhamos que esperar mais antes de ampliar o uso. Anunciar que esse é um método seguro ainda é muito precário.”

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