Tecnologia com microscópio robótico aposta em melhores resultados para neurocirurgias

Equipamento também vem sendo utilizado para outras áreas

Da Redação | 13/06/19

Um equipamento de R$ 1,6 milhão, batizado de Kinevo 900, já está disponível no Brasil, em sete hospitais. Dois deles, públicos (um no Paraná e outro na Paraíba). Trata-se de uma tecnologia exclusiva da alemã Zeiss, trazida para o país em meados de 2018, e que teve seu lançamento oficial na Feira Hospitalar 2019, em maio.

Basicamente, o equipamento é um microscópio gigante e híbrido, com várias interfaces, incluindo o grande diferencial, que é a projeção em tela 4K, com imagens 3D. “É uma quebra de paradigma”, conta Marcelo Vieira Krech, gerente regional da empresa. Segundo ele, o uso do microscópio binocular cirúrgico já era convencional entre os cirurgiões, mas não acoplado ao vídeo em alta definição. A ideia é que, enquanto opera, o médico tenha à sua frente um verdadeiro panorama da cirurgia, numa tela tridimensional, que o ajuda na tomada de decisões.

Os benefícios desta funcionalidade, e de outras inovações que chegam embarcadas na tecnologia, foram descritos em detalhes no estudo Laboratory Evaluation of a Robotic Operative Miscroscope Visualization Platform for Neurosurgery , publicado na plataforma Cureous, em julho de 2018.

Liderado por médicos do Barrow Neurological Institute e do St. Joseph’s Hospital and Medical Center, nos EUA, o trabalho avaliou vários aspectos do novo equipamento, durante um ano, somando a realização de 78 neurocirurgias, além de testes com animais. A tela em 4k, destacam os autores, além de ajudar na acurácia, serve como instrumento educacional para os médicos em sala, como os residentes que acompanham a cirurgia. Outra nova ferramenta, a câmera de inspeção QEVO, portátil e acoplada ao sistema de vídeo do equipamento, permite que o cirurgião inspecione áreas do cérebro antes inacessíveis, realizando uma verdadeira endoscopia em tempo real. Os médicos do Barrow Institute destacam a facilidade na ressecção completa de tumores, por exemplo, permitindo recuperação mais rápida do paciente e diminuindo a possibilidade de novas intervenções no futuro. O sistema de fluorescência intraoperatória ainda consegue discriminar hemorragias, fluxo sanguíneo, tecido tumoral, entre outros elementos.
A capacidade de gravar uma posição de memória permite que o médico volte a uma determinada região, caso sinta necessidade, sem precisar ajustar o microscópio. Essa funcionalidade, destaca a pesquisa, pode diminuir em até 40% o tempo de uma cirurgia, já que boa parte do tempo é gasto no ajuste de posição e foco de um microscópio.

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No estudo publicado no Cureous, os pesquisadores recomendam que os cirurgiões passem por treinamentos para a utilização do equipamento, e sinalizam que ele seja utilizado não apenas para neurocirugias, mas também para procedimentos de coluna, nos nervos auditivos e base craniana, em cirurgias de trauma, plásticas reconstrutivas e bucomaxilofacial. A preocupação dos médicos que assinam a pesquisa é com os sistemas de saúde e suas dificuldades de custeio. Reconhecem, portanto, que a tecnologia disponível precisa ser utilizada em todo o seu potencial, a fim de entregar custo-benefício para os pacientes, médicos e gestores.

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