Tecnologia contribuindo para melhor experiência do paciente

Tema foi abordado durante o Painel Abimed, realizado na Feira Hospitalar, em SP

Por Luciana Oncken | 21/05/19

Um dos maiores obstáculos para o sucesso no tratamento do paciente é a adesão, ponto sempre presente nas diversas discussões sobre saúde pública e privada. Criar um ambiente que favoreça a adesão é um dos principais desafios de quem trabalha em toda a cadeia do setor. A tecnologia pode agregar muito nessa área, contribuindo para a jornada do paciente. Na última terça-feira, dia 21 de maio, este foi um dos temas do painel promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para a Saúde (Abimed), durante a Feira Hospitalar 2019, que vai até sexta-feira, 24 de maio, em São Paulo.

Garantir uma boa experiência em saúde, considerando os avanços tecnológicos, passa por algumas etapas, avalia o CEO da Associação Americana da Indústria de Alta Tecnologia e Dispositivos Médicos (AdvaMed), Scott Whitaker: a aceitação do uso da tecnologia por parte dos profissionais de saúde, a adesão do paciente, a visão do sistema regulatório e a posição dos pagadores (sistemas públicos e privados).

“A tecnologia na saúde deve ter sempre como foco melhorar a experiência do paciente”, destacou o presidente do Hospital Albert Einstein, Sidney Klajner. Dentro desse contexto, o Einstein tem investido em canais que melhorem essa comunicação. Um dos destaques é um programa de pontuação do atendimento médico, que está sendo testado na unidade Perdizes-Higienópolis. Após a consulta, o paciente é convidado a responder sobre alguns pontos-chave do atendimento. Esta pontuação é compartilhada em uma plataforma. A intenção é se ajustar às expectativas de quem é atendido no setor de saúde, buscando sua satisfação como em outros setores. Seria uma forma de engajar as pessoas na sua jornada. “Não é obrigatório, mas o profissional que não se submete ao programa acaba sendo descartado do sistema, porque as pessoas vão buscar os médicos esperando encontrar informações sobre a qualidade do atendimento”, destaca Sidney.

O médico tem seu papel no engajamento em saúde, mas este deve ser compartilhado com o paciente, que, cada vez mais, tem assumido a gestão da sua saúde. Um dos desafios, principalmente no caso de doenças crônicas, é fazer o paciente tomar o medicamento da forma correta e contínua. “Quando acompanhava meu pai no consultório, via as pessoas saindo das consultas sem entender o que era para fazer dali em diante. Eles saíam ainda com dúvidas”, lembrou Lívia Cunha, CEO da Startup Cuco, um aplicativo de celular que permite ao paciente gerenciar sua saúde com informações sobre sua doença, lembretes de medicamento, entre outras funções que podem ser compartilhadas com o médico.

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Existem cada vez mais dispositivos em saúde que permitem esse gerenciamento e o compartilhamento de informações com os profissionais de saúde. Na área de diabetes, inúmeros aplicativos fazem este papel, ou até mesmo sensores acoplados ao corpo, que ligados a aplicativos nos celulares, compartilham essas informações em tempo real com o médico, permitindo um trabalho conjunto entre o paciente e o médico nos ajustes do tratamento.

Uma questão importante é o cuidado com esses dados. Até agosto do próximo ano, todas as empresas no Brasil terão que estar adaptadas à Lei de Proteção de Dados. A área de saúde é uma das que mais produz dados. E a questão que se coloca cada vez mais é como trabalhar de forma segura com essas informações. Essa foi uma provocação de Waldemir Cambucci, da Microsoft. A indústria do setor precisa ser ágil para acompanhar a mudança no papel do paciente e do ecossistema de saúde. Dados em nuvem, mobilidade, redes sociais, Big Data, Inteligência Artificial estão no escopo dessa mudança. “Existe ao nosso redor um novo paciente, um paciente 4.0, e muitas opções tecnológicas que podem melhorar a sua experiência. Mas isso requer que atuais desafios, como o de regulamentar o que já está pronto, sejam solucionados”, ressaltou.

A telemedicina ganha destaque no cenário da tecnologia ao quebrar barreiras logísticas, ampliando o acesso à saúde. Mas ainda exige regulação no setor. Lembrando que em fevereiro deste ano o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma resolução sobre o tema, e voltou atrás logo em seguida. Resolvendo algumas questões, o caminho, segundo o presidente do Einstein, Sidney Klajner, é um processo de desospitalização da saúde. O hospital se concentraria apenas em casos que realmente necessitem a hospitalização, como casos de alta complexidade.

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